CEO, posição insalubre num país de altos e baixos

 14 de setembro de 2015
Postado por Wiabiliza

Jorge Ruivo, presidente da Wiabiliza

Num contexto normal CEOs atuam acostumados a lidar com pressões de mercado, exigências de suas matrizes ou conselhos, mas enfrentar os solavancos provocados por imperícia de um governo que nocauteia resultados chega a ser insalubre. Em minha experiência como Consultor, interagindo com diversos deles no Brasil, é uníssono a posição de que aqui o topo da pirâmide gera estresse além da média, se comparado com outros países da Europa ou mesmo Estados Unidos. Este quadro gera uma motivação constante pela troca de empresas, cujo tempo médio de duração é inferior a 4 anos nos mais jovens, que já alimentam o desejo à frente, quando suas carreiras estiverem mais maduras, optarem por ganhos menores, estresse controlado e melhor qualidade de vida relativos a família e lazer. Percebem que o nível de cobrança, pressão e as constantes variáveis a que estão sujeitos, os fará futuros cardiopatas.

 

A solidão de estar no topo, para os mais estratégicos, exige que a formação da equipe mais próxima esteja preparada para tomadas de decisões, entretanto, por uma característica brasileira que só atrapalha a gestão do dia a dia, grande parte das empresas nacionais mantém excesso de centralização das decisões, o que diminui a autonomia de executivos dos escalões intermediários, os limitam no aprendizado de correrem riscos e ao mesmo tempo os induzem a olharem para o mercado buscando postos do topo, Este quadro compromete o preparo de sucessores (backups) e dificulta a formação desta equipe. Como o Brasil mantém sua economia em solavancos a demanda por CEOs é sempre alta para aqueles que se enquadrem no perfil de salvadores do negócio o que possibilita negociações de polpudos pacotes de remuneração com padrões que concorrem com os melhores países desenvolvidos, atraindo até mesmo executivos de fora.

Com desafios de fazer sempre mais com menos, quando esquadrinham seus planos de gestão devem também contar com os altos índices de ineficiência produtiva reconhecidamente grave entrave que impacta na formação de custos e preços de produtos e serviços. Ao CEO recai a tarefa de desenvolver pessoas nos ciclos básicos, aqueles que envolvem seqüelas, por exemplo, de educação escolar, hábitos, deveres, comprometimento, os quais já deveriam pertencer a cada trabalhador e, se assim os encontrassem, bastava treiná-los na execução de processos bem definidos que geram alta produtividade e resultados, tornando a empresa competitiva e sustentável a um custo e tempo bem menor do necessário ser despendido.

O índice de abertura de novas empresas nacionais é altíssimo, dando a falsa impressão que o brasileiro é empreendedor, como também é cada vez menor essas empresas alcançarem a segunda ou terceira geração, fato que por si só gera estresse em dobro em CEO’s que venham  a vivenciar  processos de declínio. Ninguém quer ter registrado em seu curriculum uma experiência negativa, apesar de “headhunters” mais experientes saberem avaliar corretamente esses eventos. Em minha visão, baseada ao longo de 30 anos que atuo como consultor acompanhando e avaliando empresas, o brasileiro não é empreendedor, ele é um sobrevivente, que raramente sabe gerenciar seu empreendimento e, se sabe, é por extinto porque nossas escolas não o preparam para tal. Monta seu negócio para gerar seu sustento e se perguntado se aceitaria trabalhar numa grande empresa na qual seu salário estará garantido, encerra sua atividades sem arrependimentos. Essa cultura do imediatismo, da sobrevivência, faz com que tenha dificuldades em distinguir o que é burocracia de conceitos de organização, relacionados a controle de custos, desperdícios, orçamento, planejamento utilizados nas empresas estruturadas.

Mapear processos, identificar racionalizações possíveis de tarefas, execrar retrabalhos e incentivar as lideranças a sair do imobilismo é um diferencial para se alcançar resultados a investimentos relativamente baratos quando comparados aos resultados finais. O grande desafio do CEO é olhar para dentro da organização constantemente e saber identificar o que está bem e o que se arrasta, quem colabora e quem resiste pela manutenção dos velhos hábitos, visão que se bem trabalhada evita que a empresa se mova para o caos. Atuar sempre e a qualquer tempo com estes conceitos fará com que mercado e principalmente o governo – cujas ações e políticas destrambelhadas fizeram do pleno emprego, em torno de 3 a 4% saltar para o pleno desemprego, com quase 9% -, interfiram radicalmente nos negócios da empresa.

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